quinta-feira, 5 de julho de 2012

O pensamento mecanicista e a crise ecológica



O ponto de vista mecanicista do mundo se tornou hegemônico principalmente nas sociedades industriais, já que o próprio paradigma industrial capitalista jamais teria se desenvolvido e sustentado sem que a natureza tivesse sido completamente objetificada. As instituições de ensino produziram o conhecimento científico para a expansão ilimitada da produção material.

Vivemos num mundo com recursos limitados.Ao contrário do discurso cartesiano que coloca o observador separado do seu ‘’objeto’, impossibilitando de se compreender o meio ambiente, sua estrutura, inter relações complexas e limites. Ainda mantemos um modo de vida que reflete a ilusão (ou alienação?) de que os recursos materiais da Terra são infinitos.  


‘’Em uma postura antropocêntrica o homem é considerado o centro de tudo e todas as demais coisas no universo existem única e exclusivamente em função dele. O antropocentrismo é um mito de extrema importância para a manutenção da crise ecológica.’

Mensagens (nocivas) muito enfatizadas nas escolas e tidas como normalissímas são a de que todas as formas de tecnologia são ‘’naturais’’ e que são um aspecto superestimado e essencialmente não problemático da vida humana. Quando se fala em educação ambiental se vê logo uma grande preocupação com os ‘’nossos recursos’, que revela um comprometimento com as lógicas capitalisticas. Uma proposta assim apresentada é nada mais que uma defesa das condições da produção industrial.

Precisamos não só ficar atentos ao conjunto de valores que se formou com base no racionalismo moderno, mas também a todo um corpo de saberes e práticas que foram negados no processo de afirmação desse racionalismo. Saberes como a alquimia, os mitos e lendas, o saber popular, a espiritualidade entre outros podem ser colocados como o lado avesso do racionalismo. E esse lado que é importante para a educação ambiental. 

Para reverter esse processo esmagador devemos desenvolver e manter uma crítica radical e permanente aos processos que objetificam a natureza e a colocam apenas como mercadoria promovidos e sustentados pela ética antropocêntrica e pelo capitalismo. E tentar recuperar saberes que foram rechassados pelo cientificismo e que trazem a possibilidade de uma sociedade ecologicamente harmoniosa. 


Rio+20 x Cúpula dos Povos

O desfecho final da Rio + 20 com seus chefes de Estado assumindo compromissos vazios sem pretensão real de parar ou reverter a crise ambiental exemplifica claramente o que até aqui foi dito. A ONU representa a ambição das grandes corporações e da lógica capitalista de produção e consumo. Por esse caminho não há saídas, todos sabemos. A força política com seu discurso de ''crise econômica'' quer nos convencer que a natureza até o seu ultimo suspiro pode ser um produto comercializável. Em contraposição tivemos a Cúpula dos Povos evento organizado pelo sociedade civil do mundo inteiro. Onde todos tiveram livre acesso a muitas discussões relevantes e trocas de experiências bem sucedidas. Na Declaração final da Cúpula dos Povos estão registradas os pontos centrais de causas e lutas a que todos devemos nos apronfudar para continuarmos construindo o caminho para um mundo mais consciente, justo e igualitário.






Referência: Ética e Educação Ambiental - Mauro Griin


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