sábado, 21 de abril de 2012

Moda, roupa e revolução social: O caso do Jeans





No início do século XX o jeans foi usado para desafiar e contestar as identidades da classe dominante. Pois o jeans não traz distinção de riqueza, status ou de gênero, vesti-lo foi tido como desafiar esses valores da sociedade norte americana no início dos anos 30. Antes desse período apenas usavam o jeans mineiros e vaqueiros, trabalhadores que necessitavam de roupas resistentes e ao mesmo tempo maleáveis. A partir dos anos 30, pintores e outros artistas começaram a adotar o jeans. Na década de 60 ativistas sociais e hippies introduziram essa peça ao seu vestuário. Nesse período todos esses grupos à sua forma mantinham oposição à cultura norte americana, conservadora e consumista. Assim usar jeans era uma forma clara de mostrar oposição ao establishmentO jeans era usado pelas pessoas que criticavam a ideologia dominante da época, formando uma oposição crítica e de confronto ideológico. Formaram um ponto de resistência ao pensamento dominante burguês de trabalho, consumo e exploração.

Porém nesse mesmo período (final dos anos 60), o jeans começou a ser incorporado pelo sistema. Da mesma forma que era usado para recusar a ideologia burguesa, ele começou a ser usado para estabelecer essa identidade. O problema inicial para a indústria do espetáculo foi afastar a ''má reputação'' do jeans para ser devidamente consumido pela cultura de massa. Trabalharam duro para incorporar valores que antes representavam sua ameaça, tornando-os seus próprios sentimentos, como se tivessem sido criados por eles. Para isso colocaram o jeans em astros do cinema e em músicos do mainstream. Tornando o que era uma forma de discurso de oposição ideológica para algo vazio de sentido, neutro. O jeans acabou se tornando uma peça atemporal por enquanto, totalmente incorporada à vida urbana e à sua dinâmica estabelecida.

A hegemonia política e estética é uma batalha constante entre forças que se defrontam. De um lado está o capitalismo alienante a que tudo quer abarcar, engolir para digerir e posteriormente reorganizar e embalar para o consumo das massas. De outro a força que contesta e luta diretamente por melhorias e por mudanças. O sistema capitalista tem força na sua mutação constante de absorção de seus ''inimigos'', convertendo-os em produtos politicamente certinhos, dentro dos seus seguros limites. Devemos nos atentar que o movimento punk e o caso do uso do jeans nasceram dentro do sistema capitalista, ou seja, são frutos mesmos desse sistema hegemônico. Não podemos nos esquecer que essas formas de contestação estética se valem da própria cultura dominante para se opor a ela. Por isso mesmo, acredito, sejam tão facilmente incluídos no mercado e vendidos às toneladas como no caso do jeans. Dessa forma a batalha ideológica sempre deve se mover para outros aspectos, numa ''infinita'' guerra de ideias.    

Fonte-livro: Moda e comunicação, Malcolm Barnard

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Moda, roupa e revolução social


A moda e a indumentária podem ser instrumentos para contestar e desafiar as identidades socialmente estabelecidas de posição social, gênero, relações de status e poder. 
A moda é considerada como uma forma de se diferenciar do outro, de expressar ideias ou mesmo de fazer parte de um grupo. O consumidor de moda ou simplesmente de roupas não pode ser considerado como passivo. Ele atua de diversas formas, compra um artigo e o modifica ou o compõem da forma como quiser, adaptando-o ao seu estilo. Nesse sentido ele pode usar ativamente a moda/indumentária para construir e articular identidades de classe, gênero etc, que não aquelas impostas pela sociedade. 
Esse consumo ativo é uma forma de opor resistência à classificações pré estabelecidas, fugindo dessa forma de esteriótipos. Os consumidores ativos podem reforçar esses modelos ou criticar e se opor à essas ideias por meio da moda. Veremos essas ideias mais desenvolvidas por meio de dois exemplos clássicos e bem conhecidos por todos: o movimento punk e o jeans (no próximo post).

O Movimento Punk: 
O fenômeno punk dos anos 70, foi uma tentativa de usar a moda e indumentária para desafiar identidades e posições de classe. O punk se desenvolveu como uma reação contra a comercialização em massa da música e da moda jovem sem graça, produzidas em fórmulas pré estabelecidas e em série industrial. Nasceu com a ideia do ''faça você mesmo'', onde qualquer um poderia produzir sua própria música e roupas, em contraposição á indústria do entretenimento. 
Pode ser entendido como um ataque ao sistema econômico mais amplo que produzia filas de desempregados e a falta de significado para o futuro que a Guerra Fria trazia consigo, uma tentativa de desafiar a cultura burguesa e seu sistema capitalista, que produziam música e moda jovem insípidas e banais, gerando apenas alienação e consumismo. Foi uma crítica direta à estética do burguês camisa branca + terno. Uma trangressão de cores, texturas e tecidos do sistema dominante. 
As coisas baratas e sem valor, como alfinetes de segurança eram usados no rosto e correntes de descarga de vasos sanitários serviam de colares. Materiais como PVC, plástico, lurex e cores ''indesejáveis'', como verde limão e rosa passaram a fazer parte da indumentária punk. O que era considerado de bom gosto pela classe dominante é contrariado pelo uso do que eles consideravam de mau gosto

O punk é um exemplo de processo de incorporação estética pelo sistema burguês. O que antes era um desafio ao sistema dominante é apropriado e tornado inofensivo. Isso acontece quando o esse sistema adapta os valores representados pelo opositor. Assim as cores, texturas e tecidos usados pelos punks, vão se tornar moda nos grandes centros comerciais, sendo possível comprar em qualquer loja de departamento uma versão já pronta e ''legal'' de rebelião punk. Os valores estéticos e políticos do punk são esvaziados e assim incorporados ao consumo de massa e o que começou sendo um desafio àquele sistema é por ele transformado em algo que não o incomoda. 


No próximo post veremos o caso do jeans, sua evolução, seu conceito inicial de oposição à sociedade careta norte americana até a sua inevitável absorção pelo mercado de consumo em massa!


Fonte-livro: Moda e Comunicação, Malcolm Barnard.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Última chamada Panus Angelicus para meninas







Estamos no fim da coleção Panus Angelicus para meninas. Essa é a nossa última chamada para você que tá afim de uma de nossas regatas e ainda não se decidiu...
Nossa primeira coleção veio com tudo para arrebatar corpos e corações, estamos em constante pesquisa e aperfeiçoamento para atender os jovens (de todas as idades) com os melhores produtos, sempre com ideias positivas e reflexões.
Por que retratar um Buda? E aqueles textos místicos e complicados de entender? As folhas da Erva são uma forma proposital de provocação ou contestação? Por que essas loucuras?
O nosso propósito é levar arte, contestação e consciência. Todas as estampas desta coleção traduzem de uma forma ou outra nossa forma pensar moda. Toda a expressão consciente através da arte e da moda é válida e a comunicação (loja-cliente) só acontece de fato se vocês captarem a ideia que um desenho ou um texto quer transmitir. Não há conceitos fechados do que pode significar nossas roupas, assim como a arte estão abertas para serem interpretadas de infinitas formas. Temos sim, um posicionamento a respeito do uso e da legalização da maconha. Acreditamos que existem muitos Deuses por todos os nossos universos (imaginários e reais) e que mais do que apenas pensar e ''elaborar teses'' devemos é viver as ideias. Claro, é importante entender os diversos conceitos e mecanismos que fazem girar o mundo, mas não podemos nos prender somente a isso.
Continuamos agradecendo a todos a forma carinhosa como fomos recepcionados no mundo real e virtual (facebookianos e etc) e as mensagens de força e incentivo que estamos recebendo. Não esqueçam que em breve chegará Panus Angelicus para meninos, por que não vamos deixar os boys fora dessa.

Muita Pax&Luz!