quarta-feira, 8 de maio de 2013

Rebelião Criativa

Boxer Rebellion - Jean-Michel Basquiat - WikiPaintings.org

Desequilíbrios e injustiças na natureza e na sociedade em que vivemos, continuam sendo mantidos por um conjunto de crenças que alimentamos e muitas vezes perpetuamos inconscientemente. E perceber a extensão da nossa cumplicidade à ordem estabelecida está diretamente ligado ao grau de obediência aos princípios que sustentam essa situação.

O rebelde não apenas designa o revolucionário clássico que está na linha de frente das batalhas cotidianas contra o sistema. Há também os artistas legítimos. São pessoas que carregam dentro de si a capacidade humana, tão antiga quanto o mundo, de se insurgir, de subverter a ordem estabelecida. Adoram mergulhar no caos para nele criar a forma. Essa rebeldia autêntica exige uma intensidade de emoção, uma força suprema de vitalidade. Essas pessoas são frequentemente desprezadas por seus contemporâneos por não compreenderem a revolta autêntica que eles conseguem externalizar contra a situação de sua época.

‘’Todos os tipos de dogmatismos – científicos, econômico, moral e político – são ameaçados pela liberdade criativa do artista. É um fato necessário e inevitável. NÃO PODEMOS DEIXAR DE SENTIR ANGÚSTIA ANTE O FATO DE OS ARTISTAS E TODAS AS PESSOAS CRIATIVAS SEREM OS DESTRUIDORES EM POTENCIAL DOS NOSSOS SISTEMAS BEM ORDENADOS. O impulso criativo é a voz e a expressão das formas do pré-consciente e do inconsciente, o que representa uma ameaça à racionalidade e ao controle exterior. Os dogmatistas, portanto, devem dominar o artista. (...). Se fosse possível controlar o artista – e não acredito que seja -, isso significaria a morte da arte.’’     Rollo May

Mas como transformar nosso esquema básico na forma de pensar, a fim de evitar mais tantas incompreensões em relação às expressões autênticas de rebeldia ? 

‘’Desde os anos trinta e quarenta do século XX tem havido uma grande mudança no modo como vemos o mundo e a nós mesmos. Uma mudança de consciência que implica numa mudança cultural (mudança de paradigma). E uma das causas é a crise espiritual/ecológica cada vez mais evidente, que se resume a uma crise de valores. Quando nossa visão de mundo se modifica, nossos valores devem fazer o mesmo. À medida que nos tornamos mais conscientes, preocupamo-nos, e nossa preocupação nos leva a agir. Nossa visão foi ampliada e nossa consciência aumentada, pelo impacto das ideias entrando em circulação geral, vindas da ciência e da enorme popularização dos mitos, tradições e conhecimentos de uma forma geral. Essas influências têm impulsionado nossa cultura na direção de uma consciência do caráter interconectado da vida, um sentimento de correlação que vem do fato de percebermos que somos partes do todo. A mudança de paradigma que é necessária vai desde valores teóricos e do ego até os valores do coração e da consciência, se expandindo a partir da família nuclear até incluir a perspectiva global.

Quanto mais alienados e separados nos sentimos, mais a violência e a negatividade crescem na nossa sociedade. Será uma mudança de paradigma quando a geração do EU se tornar a geração do NÓS. Isso de fato será uma revolução cultural. Talvez não precisamos de uma maioria numérica para iniciar um processo de mudanças profundas tanto pessoal quanto social. Pequenas enzimas de consciência podem ter grandes efeitos catalíticos em toda uma cultura.’’  James George

Ainda estamos presos ao que é basicamente uma limitação cultural?

Nossa visão restrita principalmente em relação ao que podemos fazer para parar de vez a destruição e injustiças na Terra ainda não passou de pequenos esboços de como salvar nossa própria pele. Com poucas exceções, ainda não desenvolvemos um olhar total em relação à crise ambiental e humana. E não vamos nem falar nos países/economias mais poluidoras do mundo que deram as costas (literalmente) a todos os acordos e formas de achar soluções para a crise ecológica. A sociedade industrial criou um verdadeiro ‘’cárcere de alto luxo’’ com todas as formas possíveis de aprisionamento (sempre em procura de novos e mais sofisticados gadgets de ilusões) impostas como mera ’’diversão’’, ’’entretenimento’’, ’’bem estar’’ que são nada menos que futilidades e formas de alienação dos sentidos e da consciência. Um dos exemplos mais evidentes são os meios de comunicação de massa, como a televisão (com poucas excessões) que literalmente rouba o cérebro das pessoas. Eles têm a função principal de desviar a atenção para o que realmente é importante. A construção de uma sociedade consciente, solidária e harmoniosa.



Referências:
George, James. Olhando pela terra: O despertar para a crise espiritual/ecológica; tradução Alexandre Soares Silva. Gaia: São Paulo , 1998
May, Rollo. A Coragem de criar; tradução Aulyde Soares Rodrigues. Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 1982.

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