quarta-feira, 18 de abril de 2012

Moda, roupa e revolução social


A moda e a indumentária podem ser instrumentos para contestar e desafiar as identidades socialmente estabelecidas de posição social, gênero, relações de status e poder. 
A moda é considerada como uma forma de se diferenciar do outro, de expressar ideias ou mesmo de fazer parte de um grupo. O consumidor de moda ou simplesmente de roupas não pode ser considerado como passivo. Ele atua de diversas formas, compra um artigo e o modifica ou o compõem da forma como quiser, adaptando-o ao seu estilo. Nesse sentido ele pode usar ativamente a moda/indumentária para construir e articular identidades de classe, gênero etc, que não aquelas impostas pela sociedade. 
Esse consumo ativo é uma forma de opor resistência à classificações pré estabelecidas, fugindo dessa forma de esteriótipos. Os consumidores ativos podem reforçar esses modelos ou criticar e se opor à essas ideias por meio da moda. Veremos essas ideias mais desenvolvidas por meio de dois exemplos clássicos e bem conhecidos por todos: o movimento punk e o jeans (no próximo post).

O Movimento Punk: 
O fenômeno punk dos anos 70, foi uma tentativa de usar a moda e indumentária para desafiar identidades e posições de classe. O punk se desenvolveu como uma reação contra a comercialização em massa da música e da moda jovem sem graça, produzidas em fórmulas pré estabelecidas e em série industrial. Nasceu com a ideia do ''faça você mesmo'', onde qualquer um poderia produzir sua própria música e roupas, em contraposição á indústria do entretenimento. 
Pode ser entendido como um ataque ao sistema econômico mais amplo que produzia filas de desempregados e a falta de significado para o futuro que a Guerra Fria trazia consigo, uma tentativa de desafiar a cultura burguesa e seu sistema capitalista, que produziam música e moda jovem insípidas e banais, gerando apenas alienação e consumismo. Foi uma crítica direta à estética do burguês camisa branca + terno. Uma trangressão de cores, texturas e tecidos do sistema dominante. 
As coisas baratas e sem valor, como alfinetes de segurança eram usados no rosto e correntes de descarga de vasos sanitários serviam de colares. Materiais como PVC, plástico, lurex e cores ''indesejáveis'', como verde limão e rosa passaram a fazer parte da indumentária punk. O que era considerado de bom gosto pela classe dominante é contrariado pelo uso do que eles consideravam de mau gosto

O punk é um exemplo de processo de incorporação estética pelo sistema burguês. O que antes era um desafio ao sistema dominante é apropriado e tornado inofensivo. Isso acontece quando o esse sistema adapta os valores representados pelo opositor. Assim as cores, texturas e tecidos usados pelos punks, vão se tornar moda nos grandes centros comerciais, sendo possível comprar em qualquer loja de departamento uma versão já pronta e ''legal'' de rebelião punk. Os valores estéticos e políticos do punk são esvaziados e assim incorporados ao consumo de massa e o que começou sendo um desafio àquele sistema é por ele transformado em algo que não o incomoda. 


No próximo post veremos o caso do jeans, sua evolução, seu conceito inicial de oposição à sociedade careta norte americana até a sua inevitável absorção pelo mercado de consumo em massa!


Fonte-livro: Moda e Comunicação, Malcolm Barnard.

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